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Sharon Van Etten é uma cantora/compositora de Nova York. Tramp é seu quarto disco e o primeiro pelo selo Jagjaguwar (o mesmo selo responsável pelo lançameto do Bon Iver).
Tramp é um disco profundamente emotivo. Não porque fale de dor, amor, desilusão, insegurança, raiva, mas porque na sua essência há muita sinceridade, há muita verdade. Sharon Van Etten não partiu de um ponto conceitual, mas partiu de uma presença de estado para compor as músicas desse trabalho. 
Sharon Van Etten como uma artista semi-independente, e infelizmente sujeita a esse tipo de situação, passou 14 meses sem ter aonde morar. Morava de tempos em tempos na casa de amigos. E foi durante esse tempo que Tramp foi surgindo, no estudio pessoal de Aaron Dessner (guitarrista e compositor do The National). 
Sharon já era conhecida pelo seu estilo folk e lo-fi, com uma voz um tanto peculiar assim como suas composições. Suas letras são emotivas sem ser piegas;  sua voz é trêmula, tímida, introspectiva, rústica e consegue ser sutil e forte ao mesmo tempo; suas letras são francas, pessoais e não fazem questão de chamarem atenção. É nesse aparente mar de incoerência que as músicas de Tramp são formadas. Por terem sido criadas em um momento de instabilidade, as músicas soam cautelosas, precisas e sinceras.
Em “Give Out” canta “It’s not because I always give up/ It might be I always give out”, pra logo em seguida mudar o tom com a rockeira “Serpents”. Em seguida retoma a melancolia em uma das mais bonitas do disco “Kevin’s”. Melancolia que aliás permeia todas as músicas, não de uma forma piegas, até mesmo na dramática “All I Can”. O ápice de beleza que provém da combinação da voz de Sharon com os acordes está na faixa que encerra o disco “Joke or a Lie”.
Há uma simplicidade aparente nas músicas de Sharon Van Etten. É o tipo de disco que conforme ouvimos as camadas emotivas revelam seu verdadeito brilho. E é exatamente esse seu encanto, ao invés de procurarmos uma renovação musical, “a” novidade, são artistas como Sharon Van Etten, longe de atingir as massas, que fazem música de uma forma simples, sincera e que não precisa de muito para emocionar.

Sharon Van Etten é uma cantora/compositora de Nova York. Tramp é seu quarto disco e o primeiro pelo selo Jagjaguwar (o mesmo selo responsável pelo lançameto do Bon Iver).

Tramp é um disco profundamente emotivo. Não porque fale de dor, amor, desilusão, insegurança, raiva, mas porque na sua essência há muita sinceridade, há muita verdade. Sharon Van Etten não partiu de um ponto conceitual, mas partiu de uma presença de estado para compor as músicas desse trabalho. 

Sharon Van Etten como uma artista semi-independente, e infelizmente sujeita a esse tipo de situação, passou 14 meses sem ter aonde morar. Morava de tempos em tempos na casa de amigos. E foi durante esse tempo que Tramp foi surgindo, no estudio pessoal de Aaron Dessner (guitarrista e compositor do The National). 

Sharon já era conhecida pelo seu estilo folk e lo-fi, com uma voz um tanto peculiar assim como suas composições. Suas letras são emotivas sem ser piegas;  sua voz é trêmula, tímida, introspectiva, rústica e consegue ser sutil e forte ao mesmo tempo; suas letras são francas, pessoais e não fazem questão de chamarem atenção. É nesse aparente mar de incoerência que as músicas de Tramp são formadas. Por terem sido criadas em um momento de instabilidade, as músicas soam cautelosas, precisas e sinceras.

Em “Give Out” canta “It’s not because I always give up/ It might be I always give out”, pra logo em seguida mudar o tom com a rockeira “Serpents”. Em seguida retoma a melancolia em uma das mais bonitas do disco “Kevin’s”. Melancolia que aliás permeia todas as músicas, não de uma forma piegas, até mesmo na dramática “All I Can”. O ápice de beleza que provém da combinação da voz de Sharon com os acordes está na faixa que encerra o disco “Joke or a Lie”.

Há uma simplicidade aparente nas músicas de Sharon Van Etten. É o tipo de disco que conforme ouvimos as camadas emotivas revelam seu verdadeito brilho. E é exatamente esse seu encanto, ao invés de procurarmos uma renovação musical, “a” novidade, são artistas como Sharon Van Etten, longe de atingir as massas, que fazem música de uma forma simples, sincera e que não precisa de muito para emocionar.

Escort é uma super banda (no sentido literal da palavra com 17 membros) de Nova York. Seu primeiro disco homônimo foi lançado no final do ano passado apenas em formato digital, e neste mês de Janeiro, foi lançado em formato físico.

Primeiramente a capa deste disco já sinaliza tudo o que ele é: urbano, moderno, sensual (muito sensual) e deve ser ouvido em um volume bem alto.

O que é mais interessante nesse disco é que em poucas músicas já se entende qual a principal referência da banda: a disco music. Escort é de NY, ou seja, uma das cidades que compuseram a tríade nos primórdios da disco music (além de Chicago e Detroit). Então essa é mais uma banda que soa exatamente como suas referências passadas? Não. O que é incrível desta banda é justamente como eles soam atual, contemporâneos e retrógrados ao mesmo tempo.

Esse tipo de tributo à um retrocesso musical tem sido bem comum a partir dos anos 2000, particularmente acho que alguns casos a coisa assumiu níveis patológicos. A institucionalização da estética de um período é algo bem fácil de se identificar. Galerinha descolada no melhor estilo DIY (do it yourself) criam músicas com batidas, tons de guitarra, baixo, vocais semelhantes a um período anterior ao seu. Anos 80 que o diga. 

O que pra mim é sempre mais interessante é perceber como uma banda/artista pode se apropriar de um determinado estilo de forma que pegue suas características mais fortes e tenha a noção que  o referencial serve para fundir passado e presente e não para criar uma identidade semelhante. O produto final não faz de suas referências seu simulacro fetichista, pelo contrário, entende seu lugar no tempo. Dessa forma, a relação que se estabelece com a música é de algo novo, fresco, sem necessariamente ter o estigma de quebra/ruptura e da novidade com os padrões vigentes. E Escort é um disco pop, dançante, alegre, fácil e muito sexy. Exala sensualidade nas batidas, na combinação dos acordes e principalmente da voz de Adeline Michèle, a vocalista.

O voz de Adeline se assemelha às divas da disco e soul com uma mistura de girl band. É um vocal facilmente reconhecido mas com estilo e presença. Estilo que se percebe principalmente quando a banda faz dois covers, e de longe duas das melhores músicas do disco. Uma delas é uma releitura urbana de “Cocaine in my Brain” o reggae de Dillinger, e a outra é um cover extremamente original de “A Sailboast in the Moonlight” de Billie Holiday. A batida afro e a melodia que se encaixam de forma perfeita.

Os ouvidos desatentos podem acusar de ser um disco uniforme, sem criatividade, o que não é. O grande atrativo é que se pode tocar esse disco inteiro em uma festa, com um espírito disco, keep dancing, keep moving. Não se fazendo refém de sua principal referência, Escort faz um disco que não é novo mas é muito original e divertido em sua essência. 

Escort - Escort (2011)